Histórias sem fronteiras. O Brasil que Gilberto Freyre criou

Marcos Cardão

 

Resumo:
Gilberto Freyre foi um organizador e divulgador de ideias e responsável pela invenção de uma série de brasileirismos. Embora possua uma obra extensa e multifacetada, Gilberto Freyre é sobretudo recordado pelo livro Casa Grande & Senzala, que ainda hoje é considerado inovador em termos de objeto, metodologia e estilo, e permanece uma referência bibliográfica para compreender a história do Brasil. Casa Grande & Senzala aborda uma série de aspetos que se tornariam indispensáveis para descrever e imaginar o Brasil, e é também um estudo original sobre as características gerais da colonização portuguesa, plasmada na noção de que os portugueses teriam praticado uma colonização benigna nos trópicos por causa da sua “predisposição psicofisiológica” para a miscigenação e o encontro de culturas. Neste artigo, pretendo analisar como Gilberto Freyre estabeleceu uma equivalência entre a história e a herança portuguesa e os modos de viver brasileiros. O objetivo é verificar como a categoria de fronteira cultural foi mobilizada para imaginar a emergência do Brasil, transformando práticas excludentes em hipóteses de acomodação, e, posteriormente, reutilizada para descrever a singularidade de outras áreas culturais.

Palavras-chave:

Gilberto Freyre, fronteira, nacionalismo, luso-tropicologia

Referência para citação:

Marcos Cardão. “Histórias sem fronteiras. O Brasil que Gilberto Freyre criou” Práticas da História, Journal on Theory, Historiography and Uses of the Past, n.º 10 (2020): 45-70.

 


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< Práticas da História, nº 10 (2020)