O messianismo ou a história como dissidência na obra de Walter Benjamin

O messianismo ou a história como dissidência na obra de Walter Benjamin

Maria João Cantinho

 

Resumo:

Como pensar a história numa época em que a Europa se encontrava assombrada pelo espectro da catástrofe, na nossa modernidade? Como escapar aos perigos do Progresso? Foi esta urgência que determinou o pensamento de Walter Benjamin desde a sua juventude e que marcou decisivamente a sua concepção da história, mas também a sua visão da linguagem e da tradução, da própria crítica da arte e da sua recepção. Partindo do conceito de imagem dialética como um novo paradigma de compreensão e leitura da história, Benjamin procura substituir a ideia de uma história vista à luz das teorias do progresso por uma história descontínua e figurativa, que reencontra no presente a possibilidade de reactivação do passado e que valoriza uma dimensão da temporalidade qualitativa, em lugar da temporalidade quantitativa que homogeneizava e desfigurava a leitura da história. É sobretudo no conceito de messianismo, tomado como categoria secularizada da tradição judaica, que Walter Benjamin bebe, para “escovar a história a contrapelo”, concentrando em si essa potencialidade de resgatar a “parcela messiânica” que nos cabe em sorte e que traz em si o eco das vozes que nos chegam.

 

Palavras-chave:

Messianismo, História, Política, Imagem Dialética.

 


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< Práticas da História, nº 5 (2017)