DEUS VULT? Crusade Apologists, Historians and “Abortive Rituals” in the 1999 Reconciliation Walk to Jerusalem

Mike Horswell

 

Resumo:

No nonagésimo centésimo aniversário da Primeira Cruzada (1095-99), centenas de cristãos evangélicos ocidentais percorreram o caminho da expedição medieval, desculpando-se às comunidades locais pela violência das cruzadas. A Caminhada da Reconciliação deu corpo a um comprometimento ativo e direto com o passado das cruzadas e a uma tentativa de neutralizar as suas percecionadas heranças tóxicas. As críticas à caminhada por Jonathan Riley-Smith, historiador das cruzadas, foram além da discordância fatual e ilustram as tensões no cruzamento das perceções populares e académicas do passado. Este artigo revisita a análise de Michel-Rolph Trouillot da estrutura retórica de um pedido de desculpas histórico na sua aplicação à Caminhada da Reconciliação para revelar as formas pelas quais os organizadores do passeio e os seus críticos construíram continuidades e descontinuidades entre as comunidades ao longo do tempo. Em vez de concordar com Trouillot que a caminhada constituía um “ritual abortivo”, sugiro que o desempenho e a receção do pedido de desculpas demonstram o poder afetivo das perceções do passado e reforçam a necessidade de os historiadores levarem a sério essas memórias coletivas – muitas vezes imprecisas – ao considerarem o significado presentista do passado.

Palavras-chave:

Cruzadas, desculpas, reconciliação, história.

Referência para citação:

Mike Horswell. “DEUS VULT? Crusade Apologists, Historians and “Abortive Rituals” in the 1999 Reconciliation Walk to Jerusalem.” Práticas da História, Journal on Theory, Historiography and Uses of the Past, n.º 9 (2019): 19-58.

 


PDF(685k)PDF


< Práticas da História, nº 9 (2019)